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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Pérola da semana

De nada adianta desarmar todos os homens. Eles continuarão a se matar aos socos, se os espíritos não forem pacificados. E, na primeira oportunidade, produzirão máquinas ainda mais mortíferas para se destruirem mutuamente. A paz está dentro de nós. Ou então não existe. Se é no espírito dos homens que começam as guerras, então como disse Robert Muller, "é nas escolas da Terra que se moldará a nova consciência, capaz de pôr um termo a toda violência". Pierre Weil em A Arte de Viver em Paz

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pérola da Semana: O impensável aconteceu*

O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição. Boaventura de Sousa Santos
A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro.
A medida não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste
caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então,J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande
depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança).
O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social.
Foi com estas receitas que se "resolveram" as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar.
À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação.
Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal.
Muito continuará como dantes: o espiríto individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão.
Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão "soberana" de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life.
Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel).
Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada.
Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA.
Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção.
Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a novacentralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças.

*Artigo de Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal), enviado pela Maria Francisca Abrita Moro.

domingo, 28 de setembro de 2008

A Pérola da Semana

"Rodrigo Stabeli" <stabeli@unir.br> escreveu: Querido Isaac e todos colegas que tentam fazer ciência séria no Brasil. Hoje no período da tarde, enquanto ministrava minhas aulas regulares na Medicina de nossa Universidade Federal, minha secretária recebeu dois agentes do IBAMA que traziam consigo uma intimação que me acusava de BIOPIRATA. Como estava em exercício, de uma das funções públicas que exerço, a docencia, a única que me afasta temporariamente de minhas funções de pesquisador, não recebi a intimação (amanhã estarei recebendo a bendita as 15H30 horário de Brasilia). Estou amplamente preocupado com o futuro científico de nosso país. De um lado as ONGs protetoras dos animais de biotério, do outro, instituições públicas que buscam combater como biopiratas funcionarios publicos que exercem a docencia e a pesquisa em seu laboratório fixo, em sua Universidade fixa, que possui endereço fixo e que ainda publica sua "biopirataria"em revistas indexadas com impactos relevantes nas bases de dados internacionais e ainda que lidera dois projetos nacionais(PRONEX e GENOPROT) fomentados pelo CNPq e FINEP, que entao legalizam de vez sua "biopirataria". A burocracia para se tirar uma licença CGEN e SISBIO é imensa. As minhas demoraram mais de um ano e meio para serem emitidas. Amanha estarei recebendo a intimação e, Prof Isaac, devo ser preso em Brasilia pois Porto Velho não tem presidio para universitarios. O fato é que não podemos ver sucateada a produção científica brasileira. Este movimento anti-terrorista científico está me preocupando. Amanhã escreverei com maiores detalhes.

Abraços
Rodrigo

Rodrigo Guerino Stábeli, Ph.D.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A Pérola da Semana

O chinês Minq Li, professor de Economia na Universidade de Utah, em Salt Lake City, escreveu: "Como à Eurozona falta impulso de crescimento e o Brasil, a Rússia e a Índia permanecem relativamente pequenos para desempenhar papéis decisivos na economia global, a China parece ser o único candidato plausível para substituir os Estados Unidos e tornar-se a principal força condutora da economia capitalista global. Poderá a China conduzir o capitalismo mundial a um outro período de estabilidade e crescimento rápido? Provavelmente observaremos um retorno ao domínio keynesiano ou às políticas capitalistas de estado por todo o mundo. A crise também baterá à porta dos chineses e a saída será reorientar sua produção industrial para um mercado interno cujo consumo de massas é hoje limitado pelos baixos salários". O perigo amarelo não será desta vez?!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pérola da Semana

Do hebdo passado:Vejamos como será o jogo no Brasil! E o que vimos, senão aquela pífia apresentação da seleção brasileira em casa, empatando com a Bolívia por 1x1 na quarta-feira, 10 de setembro. Há quem diga que foi para evitar mais problemas para Evo Morales. Por falar em Evo Morales, ele saiu-se muito bem na consulta nacional de 10 de agosto próximo passado, aprovado por mais de 60,0% dos eleitores em, no entanto, vem enfrentando a cizânia de seu país que, aliás, nunca foi muito unido. Altiplano e Meja Luna jamais formaram uma só nação e agora estão prestes a se dividir, por iniciativa dos mais ricos sob a liderança de Santa Cruz. Cândido Mendes disse na CBN que Evo Morales já percebeu que deve ceder em parte e concordar em constituir uma Confederação Boliviana. Hugo Chavez aproveita para propor a expansão se suas "teses bolivarianas". E Lula recomenda, sabiamente, cautela e negociação democrática, sem rompimento com o Estado de Direito. É bom, todavia, lembrar que a nova constituição boliviana não foi aprovada por maioria qualificada do parlamento.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Pérola da Semana

Dunga se salvou no Estádio Nacional de Santiago do Chile, o mesmo de onde se salvaram amigos nossos, em setembro de 1973, militantes contra a ditadura no Brasil, exilados no Chile do Allende! Sorte dele, pois o escrete canarinho bateu a seleção anfitriã de 3 x 0, desafiada na sua "macheza" pelo nosso próprio Presidente da República, segundo as palavras de Dunga em preleção aos atletas minutos antes do embate. Mesmo assim os jornais dão a cotação de eventuais substitutos... Vejamos como será o jogo no Brasil! Ah, não foi nesse estádio que o Brasil ganhou a copa do Mundo de 1962, quatro anos depois da Suécia, quando Pelé praticamente não jogou por ter-se contundido e Amarildo se revelou?! Sim, foi nesse mesmo Estádio Nacional, quando o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 x 1 em 17 de junho de 1962. E o Chile ficou em terceiro lugar ao vencer a Iuguslávia, tomando parte da torcida brasileira contra a Tchecoslováquia!

domingo, 7 de setembro de 2008

Pérola da Semana

Deu na coluna do Tostão: "Os jogadores são produzidos em série, para exportação, como (n)uma fábrica de parafusos. Os atletas de talento são colocados na mesma linha de produção dos medíocres. Há mercado para todos. Aumentou a quantidade e diminuiu a qualidade". Qualquer semelhança com o que acontece na formação de profissionais de saúde, não é mera coincidência, mas a predominância do mercado sobre a cultura em todos as atividades, sejam desportivas ou sociais. A diferença é que além dos milhares de profissionais que formamos e precisamos formar no Brasil, estamos recebendo de volta estudantes brasileiros formados profissionais no exterior, em busca de reconhecimento do diploma para atuarem legalmente no país.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pérola da Semana

Marcelo Tas em entrevista cedida pela revista TRIP à revista de bordo da GOL deste mês de agosto, depois de falar do seu atual programa na Bandeirantes, o imperdível Custe o Que Custar ou CQC, ao lhe ser perguntado "Você desliga alguma hora do dia?", respondeu: Sim, desligo uma hora do dia e me ligo no presente. Faço meditação para acalmar a mente. Existem várias técnicas: a mais simples é prestar atenção na respiração. Se você passar cinco minutos só fazendo isso, vai ser mais feliz.